'Hamnet' e o mistério de 400 anos sobre a esposa (e o filho) de Shakespeare
Caryn James
No eloquente romance Hamnet (Ed. Intrínseca,
2021), da escritora Maggie O'Farrell, e no comovente filme baseado no livro,
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, a esposa de William Shakespeare (1564-1616),
Agnes (c.1556-1623), é especialista em ervas e poções medicinais.
Ela tem a capacidade quase sobrenatural de
pressentir o futuro, mas não consegue salvar seu filho pequeno da peste. E a
morte da criança leva seu pai a escrever uma das maiores obras da dramaturgia
universal: Hamlet.
Mas não temos como saber se toda esta história
é verdadeira.
Tanto no filme — que acaba de ganhar o Globo de
Ouro como melhor filme dramático — quanto no romance, a história se baseia na
imaginação, em um rico exame do luto, criado a partir dos poucos fatos
disponíveis.
O'Farrell também é a autora do roteiro do
filme. Não se pode dizer que ela e a diretora, Chloé Zhao, tenham distorcido a
história real. Afinal, não existe uma história conhecida, apesar dos
historiadores terem dedicado séculos a conhecer melhor a vida de Shakespeare.
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Os dados disponíveis sobre a família do
dramaturgo são muito poucos e trazem mais perguntas do que respostas.
Os registros mostram que, em 1582, William
Shakespeare, então com 18 anos de idade, se casou com Anne (ou Agnes) Hathaway,
de 26. Ela estava grávida da primeira filha do casal, Susanna.
Três anos depois, nasceram seus gêmeos, Judith
e Hamnet. Na época, o nome Hamnet era intercambiável com HamletEm 1596, Hamnet
morreu com apenas 11 anos. Ele foi sepultado no dia 11 de agosto e é quase
certo que Shakespeare, que estava em viagem com sua companhia de teatro, não
conseguiu regressar à sua cidade de Stratford, na Inglaterra, a tempo para o
funeral.
Cerca de quatro anos depois, Shakespeare
escreveu Hamlet.
É o que se sabe — e cada um pode tirar suas próprias conclusões

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